PROJETO DE ORALIDADE É RESPOSTA AOS JOVENS INDÍGENAS TERENAS
12/04/2019 23:02 em Novidades

Com 105 anos de evangelho e 25 anos de tradução do Novo Testamento, a etnia Terena conta agora com um projeto audiovisual para estimular a vivência do evangelho através de sua cultura oral de contar histórias.

Um projeto audiovisual de oralidade com histórias bíblicas foi a resposta que um casal de missionários deu a uma realidade preocupante entre jovens indígenas na aldeia Terena Água Branca, em Aquidauana – MS. Esta, como muitas aldeias no Brasil próximas às cidades, passou pelo processo de urbanização, acessando elementos culturais que não são os seus. O alcoolismo e o vício em drogas, por exemplo, assim como a prostituição são problemas enfrentados, especialmente pela juventude nesta aldeia. O crescente acesso à internet foi também a porta de entrada dos terenas para a pornografia, algo que também cresce na sociedade não indígena.
O evangelho chegou na aldeia Água Branca há 105 anos, a por meio de movimentos missionários iniciava o processo de tradução do Novo Testamento, que já está nas mãos dos indígenas terenas há 25 anos. A etnia Terena não tinha nenhum tipo de material que valorizasse sua tradição oral. A oralidade é um processo comum a todos os brasileiros: o aprender através da fala, das histórias contadas nas rodas de amigos ou à mesa com a família. E entre os indígenas isto é ainda mais forte, sendo que qualquer ensino torna-se mais acessível através da fala em sua língua materna.

“Por que não ter uma história bíblica de seu povo no celular ao invés de pornografia?”, pergunta Patrícia Oliveira, que com o esposo Patrick Oliveira colocou em prática uma idéia que surgiu no ano passado, durante a conferência Duo DNA, realizada pela Jocum (Jovens Com Uma Missão).

Patrick e Patrícia são missionários da Jocum Monte das Águias. Quando ainda eram solteiros, em 2014 foram alunos de ETED (Escola de Treinamento e Discipulado), e no tempo prático conheceram pelo menos dez aldeias indígenas, entre elas a Aldeia Água Branca.

Na mesma semana em que decidiram elaborar o projeto, Patrick e Patrícia ganharam de presente uma câmera semiprofissional, o que sinalizou que o desenvolvimento da iniciativa era possível. Em janeiro de 2019 foram até Aquidauana, na aldeia, reuniram os indígenas, que aceitaram a proposta, e gravaram a dramatização das histórias bíblicas O Filho Pródigo e a Mulher do Fluxo de Sangue. “Nosso objetivo era que, na língua terena, a aldeia pudesse olhar para o filho pródigo terena: o menino que deixa a aldeia, conhece o vício, perde tudo e ao decidir voltar, é recebido pelo pai. A mulher do fluxo de sangue é uma mulher terena”, relata Patrícia. Os atores são os próprios indígenas, que ficaram emocionados ao se verem atuando, e o texto foi todo na língua terena.

Para Gina, como é conhecida a terena Ginaíde Farias, o projeto traz uma oportunidade para que os jovens repensem a forma como estão vivendo. “Nos últimos dez anos as coisas mudaram muito. Pessoas que conheci quando crianças agora estão envolvidas com drogas e pornografia”, relata. Ela é filha do pastor Ladislau, pioneiro na tradução da bíblia para a língua terena e um preservador da língua entre crianças e jovens.

“Quando conheci a Jocum, automaticamente pensava que uma indígena não poderia ir tão longe da aldeia, mas eu fui e agora posso ajudar o meu povo”, comemora Gina, que foi aluna de ETED em 2011. Como missionária, ela foi ao Paraguai e Bolívia e ficou por quatro anos como obreira de base da Jocum. Agora Gina é universitária do curso de Letras, dividindo sua vida nos dias de atividades na aldeia falando em terena, e a noite no ambiente acadêmico, falando português. Como ela, cerca de 300 indígenas daquela região estão na universidade.

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